sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A deusa ferida em todos nós

Quando Mary Daly descreve em Beyond God the Father como a "imagem do pai" do cristianismo distorceu e tiranizou nossa visão das mulheres no Ocidente, ela está também descrevendo o que Jung chamaria de poder desvirtuante de um arquétipo isolado. Os arquétipos podem chegar a possuir culturas inteiras, tornando-as neuróticas da mesma maneira que um "complexo de pai" pode levar uma pessoa a ser neuroticamente submissa à autoridade, por exemplo.

O que Daly e outras autoras feministas denunciam como o mal do "patriarcado" é precisamente o que os junguianos criticam como sendo o modo pelo qual a civilização ocidental acabou sendo unilateralmente ofuscada pelo arquétipo do Pai, à exclusão do arquétipo da Mãe. Em nossa reverência exclusiva ao princípio paterno, em que suprimimos ou menosprezamos o feminino, acabamos provocando graves danos à nossa saúde psíquica individual e coletiva. Isso sem mencionar a saúde física de nosso corpo e a do próprio planeta Terra.

Mas há sinais indicando que, espontânea e conscientemente, o pêndulo começa efetivamente a oscilar. A supremacia patriarcal vai manifestando sintomas de falência espiritual, e em toda parte - nas artes, na literatura, na política, nas igrejas - há sinais de um enorme ressurgimento do feminino, da consciência matriarcal. Um auspicioso "retorno da Deusa" está certamente ocorrendo.

É urgente, portanto, que compreendamos a natureza e a condição dos arquétipos femininos que estão despontando do inconsciente coletivo da nossa cultura. A primeira coisa que notamos é que, como qualquer pessoa que foi encarcerada, exilada, vituperada e caluniada, as deusas, ao serem restauradas na consciência como princípios psicoespirituais, frequentemente parecem fracas, confusas, magoadas, feridas. Esses ferimentos se devem ao tratamento áspero e cruel que receberam nas mãos da repressão patriarcal: Afrodite envergonha-se de sua sexualidade; Atena questiona sua capacidade de pensar; Hera duvida do seu próprio poder; Deméter desconfia de sua fertilidade; Perséfone nega suas visões; Ártemis não sabe interpretar sua sabedoria corporal instintiva. Isso, e muito mais, é o legado do exílio psquico do feminino.

Devemos prestar atenção especial ao que chamamos chagas das deusas: as mágoas profundas que todas elas sofreram, ferimentos que lhe foram infligidos durante a longa história da batalha psicológica pela supremacia empreendida pelas forças masculinas na cultura ocidental. Não importa se essas chagas surgiram pela primeira vez com a hegemonia guerreira dos gregos antigos, com o imperialismo dos romanos ou com o medo puritano do feminino e do corpo entre certas facções do cristianismo; a nós urge perguntar por que toda mulher moderna carrega dentro de si resquícios da chaga de uma deusa específica que vem apostemando-se há quase três milênios.


(in A Deusa Interior, Jennifer Barker Woolger)

domingo, 13 de setembro de 2009

A mulher livre

"A mulher não tem que se tornar igual a ninguém. Ela tem de pertencer-se. Ela deve libertar-se da imagem que lhe é imposta por uma sociedade dominada pelos valores masculinos. Ela deve, sobretudo não fazer do homem o modelo da sua libertação. Será assim que ela vai criar uma sociedade nova. Quanto ao homem, que ele contribua para libertar a mulher, primeiro e antes de tudo aceitando o sua parte feminina nele próprio. Reconhecendo os valores femininos que em si mesmo esperam expandir-se assim como no mundo. A fim de que possamos juntos construir uma sociedade nova. Esta civilização, não se realizará jamais se nós não permitirmos às mulheres de a criar. O Porvir é das mulheres, porque elas interrogam-se pelos olhos das crianças."

Omraam Mikhaël AIVANHOV

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sobre a Legalização do Aborto

A questão não é que o aborto é um assassinato de fetos, e sim que ele vem sendo uma das principais formas de assassinato sistemático de MULHERES já que o aborto clandestino é a 4a maior causa de mortes femininas no Brasil e no mundo...

O aborto, sendo proibido ou não, vai continuar acontecendo. E acontecendo nas piores condições... um grande desrespeito à vida da mulher, algo que denuncia o desvalor de seus corpos e de suas vidas nesse país, porque é uma proibição com um custo muito grande pra nós e que serve só pra satisfazer aos machistas e religiosos inconsequentes.

O aborto nunca foi defendido como um método contraceptivo, mas sim como um recurso último se caso ocorrer, a mulher não fique desamparada e morra de hemorragia uterina por ter tentado abortar com agulha de tricô, tomando misturas químicas esdrúxulas ou na vizinha e em clínicas clandestinas sem fiscalização, morram de infecção hospitalar, ou sobrevivam sem um útero, ou inferteis, ou com complicações ginecológicas pro resto da vida...


Há feministas que defendem aborto, há também feministas que são contra, mas não são contra a existência desse direito, mas sim favoráveis a que haja um incentivo maior às campanhas de informação, formação sexual da mulher, disposição de meios contraceptivos e etc. É o que deveria estar acontecendo.

Por trás da proibição do aborto está a lógica patriarcal, em que o corpo das mulheres está nas mãos de um estado controlado por homens, e isso trás a lógica de que os filhos são de propriedade dos homens,assim como o corpo das mulheres, que serve a reprodução de herdeiros, cidadãos guerreiros, proletários explorados, consumidores vazios...

Enfim: quem tem que decidir isso são as mulheres, e não os terceiros...que nunca vão saber como é isso, passar por isso, e SER MULHER...ter um útero e um corpo e a dor de sentir que ele não é seu.

domingo, 5 de julho de 2009

GUERREIR@S DO 234

Assim chamou-se a vitoriosa ocupação da Mem de Sá, e se dizemos vitoriosa, mesmo desalojada, é porque em tempo algum a estupidez venceu as flores).

Bombas de efeito imoral... Coturnos e cassetetes.. . Spray... Meu rosto vermelho de ódio e pimenta! Tanta força bruta, pouco direito, pouca educação... Ordem para os pobres, progresso para os ricos!, alguém já deve ter dito isso antes ...
A constituição rasgada diante dos nossos olhos, a truculência policial desfilando na avenida..., Sete de setembro? Não, despejo. Cacos de direitos humanos pelo chão... Falou-se em cumprimento da lei, mas cumprimento da lei não implica em humilhação e tortura, e se a lei não serve ao povo, e se o povo é a maioria, ora, então de que serve a lei? Era mais que “dever” aquilo, era perversão mesmo, fetiche... Aqueles homens (?) se realizavam em sua violência... Alguns riam... Risos.

Crianças cantavam... Cantavam alegremente. .. Cantavam loucamente.. . E o desespero se misturava ao amor... Cantavam palavras de ordem, cantavam o hino nacional, e também canções religiosas.. . Que importa?! As crianças cantavam, e cantando se formavam numa autêntica Educação para a democracia! De maneira irônica e mesmo heróica os princípios políticos proclamados na LDB se cumpriam, crianças sem casa e talvez sem escola, mas não sem educação.

Sim, aquilo era Educação popular
, um processo genuíno de formação política das classes populares, um ato educativo, pedagógico mesmo. E formando-os, também nos formávamos. Educação com o povo, educação popular.

Agora, detidos e transportados como animais na traseira de um Camburão, dividindo um espaço ínfimo, quase sufocados, no auge do nosso sofrimento, o companheiro Vlad. voltou-me os olhos úmidos e sorrindo, perguntou:

- Como vai a vida, companheiro? Está amando?
- Sim, amo, - respondi - mas não vou bem na faculdade...

E rimos, e assim sublimamos o sofrimento. A luta política é antes uma forma de ressignificar o sofrimento humano. O Vlad. pensou que morreríamos (porque a viatura tomara um destino diferente do informado), eu só queria sair dali, mesmo que fosse para isso - estava sufocando e àquela altura me concentrava em respirar. Em certo ponto daquele passeio bizarro, disse-lhe: - É só se concentrar, companheiro, concentre-se. .. Nossa companheira, no banco da frente, discutia firme e serena com o policial, e foi chamada de safada e palhaça por ele... Lá de trás, tivemos que ouvir isso em silêncio... A companheira. E continuava contestando e resistia bravamente. Minutos antes, num gesto de paixão e desprendimento, a companheira D. lançara de volta um jarro de mágoas que um soldado romano havia atirado em nós, e o jarro enfumaçava a rua... E era como um incenso, incenso de repressão...
Em certa altura da Batalha, tive a impressão de que a repressão do estado pesa de forma mais contundente sobre aqueles que têm a pele mais escura, ou menos clara, como queiram... Ouvi relatos da companheira G. voando pelos ares, enquanto eu era “conduzido” (recebendo uma “gravata”) com o corpo dobrado para frente, como em gesto de obediência e submissão... Não houve ofensa racial, de fato, mas houve tratamento racial; ali eu fui, sem dúvida, um escravo sendo capturado por um capitão do mato. O meu Black voava pelo ar, de pé para a luta. Vale dizer que aquela ocupação era negra. Neste país, o poder senti-se mais a vontade para se exercer sobre os não-brancos. Estávamos ali, e pessoas brancas e de belos olhos também lutavam e resistiam bravamente, e sofriam, e eram esmagados... E havia beleza e horror naquilo tudo!



Sim, esmagados em plena a democracia, a ditadura continua para os pobres em geral e para os negros em específico.




Por fim chegamos, e após uma eternidade saímos. E quando saímos tocava em algum canto da cidade uma canção do Bob Dylan, e sabíamos então que estávamos livres... Livres agora... Abraçamo-nos todos e todas, durante todo processo amparados por um bravo advogado, o companheiro e Dr. A.P, homem de meia-idade que trazia nos olhos o brilho vivo da ideologia, e animados pelo encorajamento de outros lutadores e lutadoras. (E enquanto isso ocorria, muitos outros continuaram na praça de guerra, acompanhando, registrando e orientando todo o processo)
Demos mais um passo em liberdade, e de repente era preciso continuar a luta, a luta continua, alguém diria, havia inúmeras famílias desalojadas... Era preciso ainda ocupar e resistir!

R.Q.

[Texto escrito por um manifestante contra o desalojamento da ocupação de um prédio abandonado do INSS, no Rio de Janeiro.]

segunda-feira, 30 de março de 2009

O Mito de Lilith, Adão e Eva (Parte I)

Em Gênesis 1, homem e mulher são criados iguais e conjuntamente, enquanto na segunda história, em Gênesis 3, a mulher é criada depois do homem e a partir de seu corpo. Segundo as lendas, Lilith era a primeira esposa, que era bem pior que a segunda.
No entanto, a figura escolhida para desempenhar esse papel na lenda judia era originariamente suméria, a resplandecente "Rainha do Céu", cujo nome "Lil" significava "ar" ou "tormenta". Às vezes se tratava de uma presença ambígua, amante dos "lugares selvagens e desabitados", associada também com o aspecto obscuro da Deusa Inanna e com sua irmã Ereskhigal, “Rainha do Mundo Subterrâneo".
No mito hebreu, Lilith, acumulou sem descanso todas as associações à noite e à morte, compreensivelmente rebaixada ao ser percebida desde o ponto de vista de um povo escravizado pela Babilônia.

Uma versão da Criação de Lilith na mitologia hebréia conta que Yahvé fez Lilith, como a Adão, porém no lugar de usar terra limpa, "tomou a sujeira e sedimentos impuros da terra, e deles formou uma mulher. Como era de se esperar, essa criatura resultou ser um espírito maligno". Lilith se converteu a posteriori na primeira esposa de Adão, cuja presença original nunca terminou de eliminar-se totalmente de seu segundo matrimônio. O que falhou no primeiro foi obviamente a independência de Lilith e sua igualdade com Adão, por isso depois criou-se Eva. Em conseqüência, a lenda tacha de insubordinação a atitude por parte de Lilith, pois, segundo a história, se negava a aceitar seu "lugar apropriado" que aparentemente era permanecer debaixo de Adão durante a relação sexual: -"Porque devo ficar debaixo de ti? Por que ser dominada por ti se sou tua igual, já que ambos somos feitos do barro?”, pergunta ela, mas Adão se recusava a igualar as posições. Lilith nervosamente pronuncia o nome de Deus e faz acusações contra Adão e Deus se nega a ajudá-la. Cansada de que não atendessem suas reivindicações de igualdade, Lilith abandona Adão e jura odiá-lo, blasfema contra Deus e alia-se aos inimigos do Eterno, tomada pela cólera.
Não é bom que o homem esteja só[1] Deus disse, então faz Eva e a dá por companheira a Adão: uma mulher feita a partir de seus fragmentos. Enquanto Lilith é descrita de forma negativa, Eva, ao contrário, é apresentada em suas belezas e ornamentos: Lilith é a força destrutiva (odeia todos os homens e frequentemente é relacionada a abortos e a morte de recém-nascidos) e Eva é a construtiva (a dócil mãe da humanidade). Mas Eva também se mostrará imperfeita, ela carregará a culpa pela perda do Paraíso e pelo erro de Adão. É culpada pela maldição/punição da mulher “com dor terás filhos; e o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará”[2] e do homem “No suor do teu rosto comerás o teu pão.[3]”.

E, esta é a informação que nos é passada pelo cristianismo, isto é, que a mulher possui uma imperfeição inerente, devida a sua natural inferioridade e sua incapacidade de distinguir o bem do mal. Tais afirmações foram codificadas no psiquismo feminino, fazendo com que todas as mulheres se tornassem estigmatizadas com esta identidade negativa. Foi deste modo, que o feminino se viu reduzido ao submisso e ao incapaz. A submissão foi então, imposta culturalmente a todas as mulheres, que distorceu intencionalmente os aspectos femininos com o intuito de reprimir e estabelecer uma sociedade patriarcal.

O mito não é teológico, é puramente social. Em uma sociedade paternalista, Lilith é reprimida para dar lugar a Eva. Eva representa a mulher moldada pelo homem: ela é o modelo permitido pela ética judaico-cristã. Eva, como mulher, está totalmente alienada, não é nada mais do que uma fêmea de Adão e não a imagem da parte feminina de Deus “Esta agora é osso dos meus ossos e carne da minha carne; está será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada[4].”. Eva é uma mulher muda, a sombra de uma mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith.

[1] In Gênesis capitulo 2, versículo 18;

[2] In Gênesis capitulo 3, versículo 16;
[3] In Gênesis capitulo 3, versículo 19;
[4] In Gênesis capitulo 2, versículo 23;
Baseado nos textos: Lilith: A Deusa da Noite de Rosane Volpatto, Lilith: A Rainha da Noite de Charles Franklin de Faria e Lilith: O Templo da Lua Negra (autor desconhecido).

domingo, 8 de março de 2009

Manifesto Dia Internacional da Mulher

Nós não vamos pagar por essa crise!
Mulheres livres! Povos soberanos!

Neste 8 de março de 2009, levantamos nossas bandeiras contra o capitalismo, o imperialismo, o machismo, o racismo e a lesbofobia. Estamos nas ruas para afirmar o que queremos construir a partir do feminismo: um mundo livre de exploração, desigualdades e discriminação. Por uma transformação radical com igualdade, autonomia, liberdade e soberania popular!

Feministas contra o capitalismo patriarcal!

As crises financeira, econômica, ambiental e alimentar que afetam o planeta e nossas vidas não são fenômenos isolados. Trata-se de uma crise global, gerada por esse modelo de desenvolvimento, baseado na superexploração do trabalho e na especulação financeira. Uma de suas bases de sustentação é a opressão das mulheres, que combina machismo e capitalismo, transformando tudo em mercadoria e colocando preço inclusive em nossos corpos.

Não acreditamos em respostas superficiais para a crise. Somos contra os milhões retirados dos fundos públicos para salvar bancos e grandes empresas. Isso gera mais concentração de riqueza e reproduz o sistema capitalista patriarcal. Também somos contra qualquer tentativa de retirada dos direitos trabalhistas e de redução de salários, propagandeadas como soluções para a crise econômica. Queremos investimentos públicos que garantam as vagas de trabalho já existentes, que ampliem a oferta de vagas com carteira assinada e reforcem a rede de direitos sociais. Nós, mulheres feministas, afirmamos: as mulheres não vão pagar por esta crise!

É urgente avançarmos na construção de alternativas socialistas a este modelo. Em vez dos agrocombustíveis e da privatização da natureza, defendemos mudanças na forma de produzir alimentos, a redução do padrão de consumo e a produção descentralizada de energia. Afirmamos que os bens comuns de nosso território ? incluindo a água, a biodiversidade e o petróleo encontrado na camada do pré-sal ? são do povo brasileiro e devem ser utilizados para garantir desenvolvimento social e econômico de toda a população. A resposta à crise alimentar não pode vir dos transgênicos, e sim da reforma agrária, da produção agroecológica e da garantia de nossa soberania alimentar.

Por um mundo com igualdade para todas as mulheres!

Construir a igualdade em nossa sociedade passa por valorizar o trabalho das mulheres e garantir sua autonomia econômica. Assim, defendemos a valorização do salário mínimo e lutamos por um modelo de proteção social solidário, universal e inclusivo, com direito à saúde, assistência social e aposentadoria digna para todos e todas. Hoje, existem no Brasil mais de 40 milhões de pessoas fora da previdência social. Dessas, 30 milhões são mulheres. Por isso, somos contra a proposta do governo federal, em discussão na reforma tributária, de desvincular todo o sistema de seguridade social de suas fontes de financiamento. Isso resultará num corte de 40% no orçamento da seguridade social, que representa a perda de R$ 24 bilhões anuais no orçamento da previdência.

Para conquistar igualdade, é preciso ampliar os serviços públicos. Para isso, é preciso parar com a privatização de unidades de saúde e das creches municipais, impulsionadas pelos governos municipal e estadual da coligação DEM/PSDB. Se o Estado não garante direitos sociais fundamentais como estes, aumenta o trabalho de cuidados com as pessoas, que é realizado cotidianamente por nós, mulheres. Lutamos para que esse trabalho seja dividido com os homens e com a sociedade.

Queremos igualdade para todas as mulheres. Por isso, combatemos o racismo em todas as suas manifestações e a banalização da imagem da mulher veiculada na mídia. Essa imagem vendida pela indústria cultural contribui para mercantilizar nossas vidas e reflete a desigualdade e a violência que sofremos dia a dia. Defendemos, assim, o controle social e a democratização dos meios de comunicação.

Em luta por autonomia e liberdade!

Vivemos um momento de criminalização das mulheres, no qual a luta por nossa autonomia tem sido duramente atacada. Em vários estados, mulheres têm sofrido perseguições, humilhações e até condenações criminais por terem realizado aborto. No Congresso Nacional, está para ser instaurada uma CPI do aborto, cujo resultado trará apenas mais perseguição às mulheres.

A maternidade deve ser uma decisão consciente, não uma obrigação. Criminalizar o aborto não impedirá que ele aconteça. Pelo contrário. Manter o aborto na ilegalidade condena as mulheres pobres ? sobretudo jovens e negras ? a se submeterem a práticas inseguras para interromper uma gravidez indesejada. Seguiremos nas ruas de todo o país, mobilizadas contra a criminalização das mulheres e pela legalização do aborto!

Denunciamos todas as manifestações de violência contra a mulher! No estado de São Paulo, o estupro é a segunda causa de morte, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública. As mulheres têm o direito de viver uma vida livre de violência!

Em defesa da paz, da solidariedade e da soberania popular! As guerras mantêm e aprofundam a desigualdade no mundo. Em situações de conflitos armados, as mulheres são vítimas de violações sistemáticas, físicas e psicológicas. Vemos hoje a feminização dos campos de refugiados. Por isso, somos solidárias a todas aquelas que vêem a soberania de seus povos atacada pelo imperialismo, seja na República Democrática do Congo, no Haiti e, sobretudo, na Palestina. Ali, os bombardeios de Israel já deixaram milhares de mortos e feridos, em sua maioria mulheres, idosos e crianças. Nos somamos às vozes de todo o planeta contra o massacre da Palestina, indo às ruas no dia 30 de março expressar nosso repúdio ao governo de Israel.

Também nos solidarizamos aos processos de construção de alternativas em curso na América Latina, que recuperam a soberania dos povos sobre seu território e seus recursos naturais. Estamos em luta por soberania dos povos e liberdade para as mulheres!

Neste 8 de março, estamos todas nas ruas confrontando o sistema capitalista e patriarcal que nos oprime e explora. Nas ruas e em nossas casas, nas florestas e nos campos, no prosseguir de nossas lutas e no cotidiano de nossas vidas, manteremos nossa rebeldia e mobilização!

FONTE: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/03/442269.shtml

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Deusa desperta dentro de nós


"A Deusa desperta dentro de nós, antes de despertar para o mundo. Devemos tomar consciência da sua existência. Devemos honrá-la, adorá-la, venerá-la, seja qual for o nome que lhe damos. Se o não fizermos estamos a ofender-nos a nós próprias. Ela é a nossa essência feminina. Ela é o poder feminino e a glória espiritual que existe em todas as mulheres e homens.” M.W.

Cada Coração

"Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas

que não estão juntas,

Sua luz se une num só feixe."

(Jalaluddin Rumi)

domingo, 11 de janeiro de 2009

O que é Religião?

"Aqui estão os sacerdotes; e muito embora sejam meus ini­migos. . . meu sangue está ligado ao deles." (F. Nietzsche, Assim falava Zaratustra).

Houve tempo em que os descrentes, sem amor a Deus e sem religião, eram raros. Tão raros que os mesmos se espantavam com a sua descrença e a escondiam, como se ela fosse uma peste contagiosa. E de fato o era. tanto assim que não foram poucos os que foram queimados na fogueira, para que sua desgraça não contaminasse os inocentes. Todos eram educados para ver e ouvir as do mundo religioso, e a conversa cotidianamente, este ténue fio que sustenta visões de mundo, confirmava, por meio de relatos de milagres, aparições, visões, experiências místicas, divinas e demoníacas, que este é um universo encantado e maravilhoso no qual, por detrás e através de cada coisa e cada evento, se esconde e se revela um poder espiritual. O canto gregoriano, a música de Bach, as telas de Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel, a catedral gótica, a Divina Comédia, todas estas obras são expressões de um mundo que vivia a vida temporal sob a luz e as trevas da eternidade. O universo físico se estruturava em torno do drama da alma humana. E talvez seja esta a marca de todas as religiões, por mais longínquas que estejam umas das outras: o esforço para pensar a realidade toda a partir da exigência de que a vida faça sentido.Mas alguma coisa ocorreu. Quebrou-se o encanto. O céu, morada de Deus e seus santos, ficou de repente vazio. Virgens não mais apare­ceram em grutas. Milagres se tornaram cada vez mais raros, e passaram a ocorrer sempre em luga­res distantes com pessoas desconhecidas. A ciência e a tecnologia avançaram triunfalmente, cons­truindo um mundo em que Deus não era necessário como hipótese de trabalho. Na verdade, uma das marcas do saber científico é o seu rigoroso ateísmo metodológico: um biólogo não invoca maus espíritos para explicar epidemias, nem um economista os poderes do inferno pára dar Contas da inflação, da mesma forma como a astronomia moderna, distante de Kepler, não busca ouvir harmonias musicais divinas nas regularidades matemáticas dos astros.
Desapareceu a religião? De forma alguma. Ela permanece e frequentemente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas não se pode negar que ela já não pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber científico e das câmaras onde se tomam as decisões que concretamente determinam nossas vidas. Na verdade, não sei de nenhuma instância em que os teólogos tenham sido convidados a colaborar na elaboração de planos militares. Não me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de problemas económicos. E é altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza é criação de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sono por causa da poluição. Permanece a experiência religiosa — fora do “nulo da ciência, das fábricas, das usinas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro. É compreensível diferentemente do que ocorria em passado muito distante, poucos pais sonhem com carreira sacerdotal para os seus filhos. . . A situauação mudou. No mundo sagrado, a experiência religiosa era parte integrante de cada um, da mesma forma como o sexo, a cor da pele, os membros , a linguagem. Uma pessoa sem religião era uma anomalia .No mundo dessacralizado as coisas se inverteram. Menos entre os homens comuns, externos aos círculos académicos, mas de forma intensa entre aqueles que pretendem já haver passado pela iluminação científica, o embaraço frente à experiência religiosa pessoal é inegável. Por razões óbvias. Confessar-se reli­gioso equivale a confessar-se como habitante do mundo encantado e mágico do passado, ainda que apenas parcialmente. E o embaraço vai cres­cendo na medida em que nos aproximamos das ciências humanas, justamente aquelas que estudam a religião.
Como é isto possível?
Como explicar esta distância entre conheci­mento e experiência?
Não é difícil. Não é necessário que o cientista tenha envolvimentos pessoais com amebas, cometas e venenos para compreendê-los e conhecê-los. Sendo válida a analogia, poder-se-ia concluir que não seria necessário ao cientista haver tido experiências religiosas pessoais como pressuposto para suas investigações dos fenómenos religiosos.O problema é se a analogia pode ser invocada para todas as situações. Um surdo de nascença, poderia ele compreender a experiência estética que se tem ao se ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven? Parece que não. No entanto, lhe seria perfeitamente possível fazer a ciência do compor­tamento das pessoas, derivado da experiência estética. O surdo poderia ir a concertos e, sem ouvir uma só nota musical, observar e medir com rigor aquilo que as pessoas fazem e aquilo que nelas ocorre, desde suas reações fisiológicas até padrões de relacionamento social, consequências de experiências pessoais estéticas a que ele mesmo não tem acesso.Mas, que teria ele a dizer sobre a música? Nada. Creio que a mesma coisa ocorre com a religião. E esta é a razão por que, como introdução à sua l obra clássica sobre o assunto, Rudolf Otto aconselha aqueles que nunca tiveram qualquer experência religiosa a não prosseguirem com a leitura. E aqui teríamos de nos perguntar se existem, realmente, estas pessoas das quais as perguntas reliqiosas foram radicalmente extirpadas. A religião não se liquida com a abstinência dos atos lamentais e a ausência dos lugares sagrados, mesma forma como o desejo sexual não se nina com os votos de castidade. E é quando a dor bate à porta e se esgotam os recursos da técnica que nas pesssoas acordam os videntes, exorcistas, os mágicos, os curadores, os benzedores os sacerdotes, os profetas e poetas, aquele que reza e suplica, sem saber direito a quem. . . então as perguntas sobre o sentido e o sentido da morte, perguntas das horas e diante do espelho. . . O que ocorre freqüência é que as mesmas perguntas religiosas ­do passado se articulam agora, travestidas, por meio de símbolos secularizados. Metamorfoseiam-se os nomes. Persiste a mesma função religiosa. Promessas terapêuticas de paz individual, de harmonia íntima, de liberação da angústia, esperanças de ordens sociais fraternas e justas, de resolução das lutas entre os homens e de harmo­nia com a natureza, por mais disfarçadas que estejam nas máscaras do jargão psicanalítico/psicológico, ou da linguagem da sociologia, da política e da economia, serão sempre expressões dos problemas individuais e sociais em torno dos quais foram tecidas as teias religiosas. Se isto for verdade, seremos forçados a concluir não que o nosso mundo se secularizou, mas antes que os deuses e esperanças religiosas ganharam novos nomes e novos rótulos, e os seus sacerdotes e profetas novas roupas, novos lugares e novos empregos. - É fácil identificar, isolar e estudar a religião como o comportamento exótico de grupos sociais restritos e distantes. Mas é necessário reconhe­cê-la como presença invisível, sutil, disfarçada, que se constitui num dos fios com que se tece o acontecer do nosso cotidiano. A religião está mais próxima de nossa experiência pessoal do que desejamos admitir. O estudo da religião, portanto, longe de ser uma janela que se abre apenas para panoramas externos, é como um espelho em que nos vemos. Aqui a ciência da religião é também ciência de nós mesmos: sapiência, conhecimento saboroso. Como o disse poeticamente Ludwig Feuerbach:
“A consciência de Deus é autoconsciência, conhecimento de Deus é autoconhecimento. A religião é o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação dos seus pensa­mentos íntimos, a confissão aberta dos seus segredos de amor.”

E poderíamos acrescentar: e que tesouro oculto não é religioso? E que confissão íntima de amor não está grávida de deuses? E quem seria esta pessoa vazia de tesouros ocultos e de segredos de amor?

(em O que é Religião, Rubem Alves, Coleção Primeiros Passos)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

LILITH Y EL PATRIARCADO

Cuando se instauró el patriarcado las divinidades que representaban los derechos o el poder de las mujeres fueron abolidas y cayeronn en el olvido o por el contrario pasaron a ser presentadas como animales monstruosos que debían ser derrotados o aniquilados. En cuanto estas divinidades se avienen al nuevo sistema de valores, esto es, el patriarcado, las mitologías las describen como femeninas, el caso por ejemplo de las Erinias griegas; pero cuando representan el orden de cosas que se desea erradicar y se alzan en portavoces del mismo, se las califica de feas, repulsivas, incluso peligrosas, para remitirnos también a Grecia la gorgona Medusa a la que Perseo corta la cabeza.
Lilith es pues el concepto de la mujer emancipada, en el patriarcado sinónimo de mujer de sexualidad libre, por lo tanto no distribuída por los hombres y exenta de entregar los hijos a estos, la antítesis de la madre pasiva y sacrificada entregada a la maternidad de la que hace apología el sistema patria.

Mario Iasi e o debate feminista

"Se podemos sentir, como dizia Che, o tapa que não foi dado em nosso rosto. Eu tenho problemas nestas coisas. Meu corpo as vezes se sente agredido quando sei de uma agressão contra uma companheira., sinto as chibatadas na carne negra que não é minha, as vezes sou ferido pelo rosto ensangüentado do um jovem coreano ou palestino, me sinto esmagado por tanques em Pequim, meu coração se estilhaça ao ver a família deitada para morrer de fome na Somália e minha mão começa a escrever coisas que não são minhas (as vezes coisas de mulher), meus olhos (de homem) choram lágrimas de outras dores. Quem sabe na evolução imensa, o ser universal de amanhã vença o homem particular que hoje sou."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Canta e Dança Mulher

Lembra mulher de quando teus pés
descalços pisavam na terra molhada,
depois da tempestade tão esperada...
Recorda quando teus ouvidos sabiam compreender
as mensagens que o vento
assoprava para o teu espírito...
Inspira fundo e sente o aroma daquela
época onde viveste próxima aos frutos e
às flores e tudo acontecia em tempo certo,
sem apressamentos...
Compreende que teu corpo e tua alma
obedeciam à voz da Grande Mãe, e tua
vida fluía plena de sabedoria, pois tu
representavas a Deusa, o sagrado
feminino, e de ti resplandecia toda a
generosidade...
Recorda que conhecias bem os mistérios
da lua, tua irmã, e te guiavas por
instintos e intuições, sonhavas com as
respostas e cheia de confiança em teu
coração guiava a tua vida e de tantos
outros por caminhos seguros...
Tua natureza, sempre disposta a dar vida
e dela cuidar, ligada por estreitos laços
aos ritmos e ciclos do universo, sabia
cantar e dançar, e assim espalhava
alegria pelo norte, pelo sul, pelo leste e
pelo oeste, sem perder o teu centro...
Rosa dos ventos e dos tempos, hoje
estás novamente aqui, mas não te
esqueça jamais de continuar a cumprir o
teu sagrado papel...
O Universo ainda carece do teu feminino...
Ah! Então canta e dança e o destino dos homens se cumprirá!
Autoria Desconhecida.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Aspectos do Uno

"O Bem-aventurado Senhor disse: Meu querido Arjuna, ó filho de Prithá, olhe agora minhas opulências, centenas de milhares de formas divinas variadas, multicoloridas como o mar." (em Bhagavad-Gita)

No Egito O Uno era chamado de Amon-Rá (A luz oculta), Atum-Rá (A fonte e o fim de toda luz) ou simplesmente Rá (A luz de Deus). Os outros deuses eram manifestações de Rá em seus vários aspectos.
Há religiões que consideram estes aspectos de Deus diversas formas diferentes do Uno. Na Realidade, os aspectos não são formas diferentes de Deus, mas sim partes e parcelas de Deus. Deus é um, suas partes e parcelas que são muitas.

"É impossivel que alguém Lhe conceba ou que Dele pense. Ou pode alguém de lá se aproximar em direção ao exaltado, em direção ao preexistente no sentido próprio? Entretanto, todos os nomes concebidos ou pronunciados sobre Ele são apresentados em honra, como um traço dele, de acordo com a capacidade de cada um daqueles que o glorificam."(em O Tratado Tripartido)

"Assim como ele também não muda em [...], nem se volta [aos nomes] que [ele pensa], para se tornar agora isso, agora algo diferente, essa coisa agora sendo uma coisa e, outra hora algo diferente, mas sendo ele completo por si mesmo e ao máximo.
[Ele] é cada uma das Totalidades para sempre e ao mesmo tempo. Ele é o que todos elas são." (em O Tratado Tripartido)

"Todos os deuses são um deus
", disse ela, então como já dissera muitas vezes antes, e como eu repeti para muitas noviças inúmeras vezes, e como toda sacerditisa, depois de mim, há de dizer novamente, "e todas as deusas são uma deusa, e há apenas um iniciador. E a cada homem a sua verdade, e Deus com ela"." (em As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley)

domingo, 9 de novembro de 2008

Imanência de Deus

"- Você acredita em Deus? perguntou ela após algum tempo.
- Antes deduzi que ele existia. Mas fui além depois... O fato é que nesta minha vida assim de solidão, eu pensava ter escalado toda aquela escada de que fala Platão, você se lembra disso? No primeiro degrau, o simples amor pelas coisas terrenas, pelas belas coisas terrenas; progredindo, chega-se às belas formas, das belas formas ao belo proceder, do belo proceder ao belos princípios, dos belos princípios ao princípio último, que é o da beleza absoluta. Raciocinei: a beleza absoluta só pode ser Deus. - Calou-se. Acendeu um cigarro. - Como vê, tudo assim formal, calculado. Mas uma tarde, na chácara, eu olhava uma teia de aranha e então aconteceu isso: senti em redor a presença Dele. No céu, o sol lançava raios vermelhos e retos, iguais aos que as crianças traçam nos seus desenhos, iguais aos ingênuos resplendores dos santinhos de papel. Vi então que ele estava na tarde, no todo imenso e na parte ínfima: estava na luz do sol e na sombra rendada que a teia de aranha projetava no chão, estava nas folhas aos meus pés e estava naquele passarinho que passou como uma seta sobre minha cabeça. Quando respirei, era como se estivesse respirando Deus."
(em Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Telles)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

"misericordiosa execução"

Somália. As milícias Al-Shabab, ligadas à Al-Qaeda, conquistaram em Agosto a cidade portuária de Kismayo onde estão a impor a charia - lei islâmica - ao abrigo da qual realizaram a primeira execução pública em dois anos. A de Aisha Duhulow

Crime foi cometido por um grupo de 50 homens
Aisha tinha 13 anos, dizem uns, 23 anos afirmam outros, e foi lapidada - ou seja, apedrejada até à morte - no estádio de Kismayo, a cidade portuária somali agora sob controlo das milícias islâmicas Al-Shabab. Durante o assassínio de Aisha, um familiar seu e alguns espectadores tentaram socorrê-la, o que fez com que os milicianos disparassem contra a multidão, matando uma criança.

Os extremistas islâmicos, associados à Al-Qaeda, justificaram a "misericordiosa execução" alegando que Aisha Ibrahim Duhulow praticou adultério, um crime de honra punido com a morte. Mas a família de Aisha nega a acusação, afirmando que ela foi violada por três homens e que foi detida quando os denunciou em tribunal. Nenhum dos acusados foi detido, assim como também não consta que tenha havido o julgamento normal para o caso de adultério. Mas Aisha foi morta. E de forma extremamente violenta.
No estádio de Kismayo, onde se encontravam cerca de mil espectadores, revela o diário britânico The Guardian, foi aberto um buraco no chão onde colocaram Aisha que, manietada de pés e mãos, ainda tentava resistir aos seus verdugos. Um grupo de 50 homens atirou contra ela as pedras que, para o efeito, haviam sido trazidas para o estádio. Por três vezes, Aisha foi retirada do buraco e observada por enfermeiras que atestaram ela estar ainda viva. E o apedrejamento prosseguiu... até à morte.
in DN LUMENA RAPOSO

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eu sou a natureza, Mãe de todas as coisas

Eu sou a Natureza, Mãe de todas as coisas, a senhora de todos os elementos, a primordial progênie dos séculos a suprema das divindades. A rainha dos mortos, a primeira das celestiais e a uniforme representante das Deusas e dos Deuses; Eu que governo com o meu aceno as alturas luminosas do céu, as suaves brisas do mar e os nefastos silêncios dos infernos, e cuja única divindade toda a humanidade venera debaixo de múltiplas formas, sob vários rituais e debaixo de muitos nomes, sou adorada em toda à parte. Cada nação tem o seu nome próprio para mim, vendo apenas um dos meus mitos, adorando-me com apenas um dos seus ritos. Na antiga Frígia sou Pessinuntica, mãe dos deuses; para os áticos autóctones, Minerva Cecrópia; os flutuantes cípricos me chamam Vênus Pafia; em Atenas, onde os homens nascem do próprio solo, sou Artémis; na ilha de Chipre sou a dourada Afrodite. Os arqueiros cretenses chamam-me Diana Dyctinna, os Sicilianos trilingues Proserpina, e os Eleusinos a intemporal Mãe dos cereais a Deusa Ceres. Uns chamam-me Juno, outros Bellona das batalhas outros Hecate ou Rhanumbia.
Pára, pois agora de chorar, pois vim ajudar-te: olhei lá de cima e vi as mágoas da tua vida e tive piedade dos teus infortúnios... Por isso seca as tuas lágrimas e rebate a tristeza. Tudo vai mudar em breve e sob a minha luz vigilante a tua vida será refeita, renovada.
Vim meu filho em resposta às tuas orações.

(Adaptação livre do texto d’ “O Burro de Ouro” de APULEIO)

O ensinamento da terra

"O ensinamento da Terra está pronto para se revelar a quem se lhe abre e neste momento é urgente que tentem compreender o seu real valor. É preciso redefinir o valor da Terra como vosso lar e se o fizerem ela sentirá isso e começará a transmitir os seus códigos e memória ancestral...

A Terra sente os vossos desejos e sentimentos. Ela conhece os seres humanos porque é uma entidade viva, biológica....

A vitalidade da Terra está à espera de ser descoberta por vocês. Ela pode dar-vos a maior abundância se compreenderam quem Ela é. Pode pensar-se nela como a DEUSA-MÃE - como um aspecto a existência, que os nutre alimenta e embala.

Ela é o vosso lar e a vossa mãe, a fonte de onde vieram.

TERRA - CHAVES PEIADIANAS PARA A BIBLIOTECA VIVA

Barbara Marciniak

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Beltane

Os sabás são antigos festivais religiosos que celebram a mudança das estações do ano. Os Sabás, também conhecidos como a "Grande Roda Solar do Ano" e "Mandala da Natureza", têm sido celebrados sob formas diferentes por quase todas as culturas no mundo. São conhecidos sob vários nomes e aparecem com freqüência na mitologia.

Beltane é o mais alegre e festivo de todos os Sabás. É o sabá da fertilidade, em que se celebra o casamento dos Deuses.

A palavra Beltane se origina dos termos galeses tan (fogo) e Bel (nome do deus sol dos galeses). Juntas, as duas palavras significam "fogo de Bel", ou então, mais poeticamente, "fogo no céu", o que é uma expressão que expressa maravilhosamente bem o espírito deste sabá. Beltane, ocorre no pico da Primavera. Marca o momento em que a Terra se aquece pelo calor do Sol e o Inverno é oficialmente deixado para trás.

Beltane
celebra o retorno do sol (ou Deus Sol) e marca a união da Deusa e do Deus representando a fertilidade dos animais e colheita.
É um festival da luz que simboliza a união entre as energias masculinas (o Senhor das Florestas) e femininas da terra (a Rainha da Primavera). A Deusa e o Deus estão em plena vitalidade e amam-se com toda a intensidade. Eles consumam seu amor, e sua paixão é evidente em toda a vida presente na natureza. É o momento de celebrar a vida em todas as formas e a fertilidade da terra.
Feliz Sabá a todos e a todas! Que a fertilidade da Deusa e do Deus inunde nossas vidas e nos traga muita prosperidade e amor!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Qual deusa te rege?

Como "deusa" é caracterizado um tipo complexo de personalidade feminina que reconhecemos intuitivamente em nós, nas mulheres a nossa volta e também nas imagens e ícones que estão em toda a nossa cultura. Segundo a teoria junquiana, as deusas são arquétipos, fontes derradeiras de padrões emocionais que fluem de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos, caracterizados e tipificados como puramente "femininos". Tudo que realizamos e gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo que nos impele à coesão social e à proximidade humana, assim como todos os impulsos, tipo absorver, reproduzir e destruir, são associados ao arquétipo universal feminino. Tais conceitos nos foram deixados como herança pelos gregos e todas as culturas antigas, que percebiam estas energias não como abstrações destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais. Quando tais forças se manifestavam num certo comportamento ou experiência, o denominavam de "compulsão de deuses e deusas".


Quando o amor e a paixão aflorava auxiliado pela convulsão hormonal, os antigos se reportavam a história da bela Afrodite que transtornava o estado de espírito, o sono, os sonhos e a sanidade mental do apaixonado.
Na Grécia, as mulheres percebiam que uma vocação ou profissão as colocava sob o domínio de uma determinada deusa a elas veneravam. No íntimo das mulheres contemporâneas as deusas existem como arquétipos e podem cobrar seus direitos e reivindicar domínio sobre suas súditas. Mesmo sem saber a qual deusa está submissa, a mulher ainda assim deve dar sua submissão a um arquétipo determinado por uma época de sua vida ou por toda a existência. Jung chama o arquétipo das deusas de "Transformadoras", porque tendem a surgir em momentos de mudança em nossa vida, como na adolescência, casamento, morte de um ente querido, modificando totalmente nossos sentimentos, percepções e comportamentos. Uma vez que a mulher se torne consciente das forças que a influenciam, adquire total poder sobre este conhecimento. As deusas embora invisíveis, são poderosas e modelam e influenciam o comportamento e emoções. Quanto mais uma mulher souber sobre suas deusas dominantes, mais centrada ela se tornará, tendo o perfeito domínio sobre seus instintos, habilidades e possibilidades de encontrar um significado especial através das escolhas que fará.


Temos que ter em mente que, toda mulher tem dons concedidos pelas deusas, mas ela deve aprender a descobri-los e aceitá-los com gratidão. Mas toda mulher também tem deficiências concedidas pelas deusas que deve reconhecer e superar para que possa trilhar o caminho do auto-conhecimento e realização.
Muito embora as culturas guerreiras tenham dominado vasto período do história, o culto à Deusa Mãe sobreviveu e floresceu até a época dos romanos. Esta Grande Deusa era venerada como progenitora e destruidora da vida, responsável pela fertilidade e destrutibilidade da natureza. E, ainda hoje, Ela é percebida como um arquétipo no inconsciente coletivo.

As deusas diferem uma da outra.
Cada uma delas têm traços positivos e outros negativos. Seus mitos mostram o que é importante para elas e expressam por metáfora o que uma mulher que se assemelha a elas deve fazer. Todas estão presentes no interior de cada mulher.



(Rosa Leonor - Blog Mulheres & Deusas)

domingo, 26 de outubro de 2008

Ó Divina Mãe

Ó Divina Mãe, que toda a minha fala


e as minhas palavras vazias se tornem um mantra,


Que toda acção de minhas mãos seja mudrá,


Que tudo o que eu comer e beber


Seja uma oferenda a Ti.


Sempre que me deitar


que seja uma reverência diante de Ti,






Que todos os meus prazeres
sejam minha total dedicação a Ti,
Que tudo o que eu faça sirva de adoração a Ti.
Livro "Mantras - Palavras de Poder" de Swami Sivananda Radha
(Discípula de Swami Sivananda)