quinta-feira, 27 de maio de 2010

Brasil, Rejeite o Projeto de Lei sobre "Os Direitos do Feto"

A Medida Poderá Dissuadir Gestantes de Buscar Atendimento Médico
"Promover gestações e nascimentos saudáveis é um objetivo louvável e, de fato, uma das obrigações em direitos humanos do Brasil. No entanto, esse projeto provavelmente causará mais danos do que benefícios impedindo que mulheres grávidas procurem cuidados médicos que por ventura venham a precisar porque temem serem entregues à polícia." Marianne Mollmann, defensora dos direitos das mulheres
O Congresso Brasileiro deveria proteger a dignidade e direitos humanos das mulheres rejeitando o projeto de lei que confere direitos amplos ao óvulo fecundado, afirmou a Human Rights Watch hoje. Essa medida daria aos direitos do óvulo fecundado "prioridade absoluta" na lei brasileira.

O projeto de lei exigiria que qualquer ato ou omissão que possa, de qualquer forma, ter um impacto negativo sobre o óvulo fecundado seja considerado ilegal. O projeto recebeu, este mês, votação favorável na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

"Promover gestações e nascimentos saudáveis é um objetivo louvável e, de fato, uma das obrigações em direitos humanos do Brasil," disse Marianne Mollmann, defensora dos direitos das mulheres da Human Rights Watch. "No entanto, esse projeto provavelmente causará mais danos do que benefícios impedindo que mulheres grávidas procurem cuidados médicos que por ventura venham a precisar porque temem serem entregues à polícia."

No último ano, vários países da América Latina sancionaram leis que conferem alguns direitos ao óvulo fecundado. Por exemplo, no México, vários estados apresentaram emendas a suas constituições para ampliar a proteção do direito à vida do "ser concebido". Muitas dessas leis mantem exceções legais anteriores especificamente sobre aborto em casos de estupro, incesto ou quando a vida ou saúde da mulher grávida estiver ameaçada.

O projeto de lei brasileiro, no entanto, vai além. Por exemplo, o projeto de lei amplia o direito à pensão alimentícia ao óvulo fecundado por estupro e busca dar "prioridade absoluta" aos direitos do óvulo fecundado. Isso pode levar a criminalização de qualquer ato ou omissão que seja percebido como de impacto negativo ao óvulo fecundado, desbancando os direitos à vida ou à saúde das mulheres grávidas, disse a Human Rights Watch.

"O governo brasileiro deveria focar a sua atenção ao fornecimento de assistência às vítimas de estupro, às mães adolescentes e a outras mulheres vulneráveis que posívelmente não podem se sustentar," declarou Mollmann. "Essa lei faz exatamente o oposto pois ameaça sujeitar tudo que as mulheres fazem ou deixam de fazer durante a gravidez à investigação criminal."
FONTE: http://www.hrw.org/en/news/2010/05/24/brasil-rejeite-o-projeto-de-lei-sobre-os-direitos-do-feto
PARA SABER MAIS:
http://www.sxpoliti cs.org/pt/ ?p=1791
http://www.sxpoliti cs.org/pt/ ?p=1792
"Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido. Este conceito inclui os “seres humanos” concebidos in vitro, mesmo antes da transferência para o útero da mulher. O Estatuto, caso seja aprovado, inviabiliza não só o aborto conforme autorizado pelo Código Penal hoje, mas também as pesquisas com células-tronco e outras iniciativas." Jandira Queiroz

Cooperação

"Eu estava de pé, assistindo ao nascer do sol. Estava sozinha na margem daquilo que, à luz da aurora, parecia ser um lago imenso. O tempo foi passando e, enquanto esperava, aos fui percebendo que não estava só. Um homem e uma mulher se aproximavam de mim. Ambos estavam nus. Como se isso tivesse sido previamente combinado, eles pararam quando alcançaram um determinado ponto. Com movimentos quase em câmera lenta, o homem se curvou para erguer a mulher bem acima de sua cabeça e depois, com uma força sobre-humana, lançou-a em direção ao lago. Ela voou sobre as águas até que tive a impressão, observando da margem, de que flutuava à procura de um lugar para pousar.

Foi então que percebi uma pequena tartaruga nadando em direção a ela. De alguma forma, ela pousou sobre o casco, quase caindo, mas recuperando o equilibrio no último instante. A tartaruga foi capaz de sustentá-la. E, parada sobre o casco, a mulher parecia crescer, tornar-se enorme, uma vasta criatura, com a cabeça entre as estrelas e o dorso da tartaruga transformando-se na curvatura da Terra.

À beira da água, percebi que algo voava na minha direção. Era uma abelha. Ela pousou à minha frente e eu a examinei. Seu tamanho era aproximadamente de um cavalo e eu contive meus temores. Senti a presença do meu Mestre, apesar de não poder cê-lo, e fiquei tomada de tranquilidade. Percebi que estava nas costas da abelha enquanto ela voava comigo de volta para a sua colméia. Quando pousamos, deslizei de suas costas e caminhei ao seu lado ela me conduzia para o fundo da cólmeia. Eu estava caminhando ao longo dos corredores hexagonais construídos com cera limpa e fina. Abelhas, todas elas muito maiores do que eu, me cercavam de todas os lados. Senti meus dentes rangendo e segui meu guia.

Finalmente, chegamos a uma câmara onde reconheci a abelha-rainha. Eu quis dar meia-volta para ir embora, mas as palavras dela me impediram.

"Seja bem-vida, pequena abelha. Você tanto pode ir embora, com medo e preocupação, como pode ficar, com alegria e confiança, pois você também é uma pequena abelha, uma pequena abelha trabalhadora. Do mesmo modo como o verdadeiro ser é a colmeia e as abelhas são como células de um corpo vivo, todas servindo a colmeia da qual fazem parte, a Terra também é sua sua colmeia, pequena abelha trabalhadora. Morra sozinha no frio ou sirva a unidade. Todas as formas de vida que há sobre a Terra são como abelhas dentro de uma colmeia."

"Não temos então qualquer tipo de individualidade?!" - exclamei, quase com irritação.

"Exatamente, quando as colmeias estão prontas, produzem novas rainhase e formam novas colmeias. Examine a história e você encontrará muitas tentavivas que foram feitas para produzir novas rainhas. Mas vocês ainda não estavam preparados. Primeiro, é preciso servir à colmeia e torná-la forte. Tudo o que você aprender a coletar terá de ser trazido de volta à colmeia para ser compartilhado por todos

Estude as abelhas. Aprenda como elas dançam com o infinito. E compartilhe seu mel, pequena abelha, cada gota dele."

Extraído de uma viagem xamânica.

(A Serpente e o Circulo, Namua Rahesha)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"Amor é energia, como a do Sol, acima e além de valorações. Doador, fecundador ou asfixiante, paralisante, doce ou cruel, é mistério. Tentar apreender sua dinâmica, descrever suas facetas, seguir seus meandros é tentar decifrar enigmas." (In Quatro Amores, Zelita Seabra)

sábado, 15 de maio de 2010

Não há Hierarquias de Opressão

Eu nasci Negra, e mulher. Eu estou tentando me tornar a pessoa mais forte. Eu posso voltar a viver a vida que me foi dada e ajudar em mudança efetiva em torno de um futuro vivível para essa terra e para minhas crianças. Como uma Negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças incluindo um garoto e membra de um casal interacial, eu usualmente acho a mim mesma parte de algum grupo no qual a marjoritariedade define-me como desviante, difícil, inferior ou apenas sendo ´errada´. Pela minha pertença em todos esses grupos eu aprendi que opressão e intolerância da diferença vem de todas formas e tamanhos e cores e sexualidades: e dentre aquelas de nós que dividem os objetivos da libertação e um futuro trabalhável para nossas crianças, onde possa não existir hierarquias de opressão. Eu aprendi que sexismo (a crença em superioridade inerente de um sexo sobre todos outros e então seu direito a dominância) e heterosexismo (a crença na superioridade inerente de um modelo de amor sobre todos outros e então seu direito a dominância) ambos nascidos da mesma fonte como racismo - a crença em superioridade inerente de uma raça sobre todas outras e então seu direito a dominância.


“Oh - diz uma voz da comunidade Negra: - mas ser negro é NORMAL!” Bem, eu e muitas pessoas Negras da minha idade podem lembrar amargamente os dias quando não costumava ser!


Eu simplesmente não acredito que um aspecto de mim pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outra parte de minha identidade.


Eu sei que meu povo não pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outro grupo que deseje o direito a existência pacífica. Ao invés disso, nós diminuimos nós mesmas por negarmos a outros o que nós vertemos sangue para obter para nossas crianças. E aquelas crianças precisam aprender que elas não tem que se tornar iguais umas as outras de forma a trabalhar juntos por um futuro que elas irão compartilhar.

Os ataques crescentes sobre lésbicas e homens gays são apenas uma introdução aos crescentes ataques sobre pessoas Negras, para onde quer que seja manifestos de opressão em si mesmos nesse país, Pessoas negras são vítimas potenciais. E esse é o estandarte do cinismo da direita encorajar membros de grupos oprimidos a agir uns contra os outros, e por tanto tempo a gente é dividido por causa de nossas identidades particulares nós não podemos juntar-nos todos juntos numa ação política efetiva.


Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica. Qualquer ataque contra pessoas Negras é uma questão lésbica e gay porque eu e centenas de outras mulheres Negras somos partes da comunidade lésbica. Qualquer ataque contra lésbicas e gays é uma questão Negra, porque centenas de lésbicas e homens gays são Negros. Não há hierarquias de opressão.


Não é acidental que o Ato de Proteção à Família, que é virulentamente anti-mulher e anti-Negro, é também anti-Gay. Como pessoa Negra, eu sei quem meus inimigos são, e quando o Ku Klux Klan vai à corte em Detroit e tenta e força o Conselho de Educação de remover livros o Klan acredita “induzir a homosexualidade,” quando eu sei que eu não posso me dar o luxo de lutar apenas uma forma de opressão somente. Eu não tenho como acreditar que liberdade de intolerância é direito de apenas um grupo particular. E eu não posso escolher entre as frentes em que eu devo batalhar essas forças da discriminação, onde quer que elas apareçam pra me destruir. E quando elas aparecem para me destruir, não durará muito para que depois eles aparecerem pra destruir você.


(Audre Lorde, ativista, poeta e escritora, faleceu em 1992 após 14 anos de luta contra seu câncer de mama, é uma referência maior de uma feminista negra radical e lésbica radical negra.)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Crime Homofóbico - Encontro marcado pela internet termina em morte na Região Oceânica

FONTE:http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/policia/encontro-marcado-pela-internet-termina-em-morte-na-ro

Encontro marcado pela internet termina em morte na Região Oceânica

Por: Priscila Costa 11/05/2010


Cabeleireiro de 46 anos, morador do Rio de Janeiro, foi encontrado morto com uma faca cravada no pescoço no bairro de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói

A procura por novas amizades em sites de relacionamentos terminou em tragédia para o cabeleireiro Tácio Fernandes de Souza, de 46 anos. Morador de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, ele foi encontrado morto na Avenida Almirante Tamandaré, em Piratininga, Niterói. A vítima, que segundo o delegado da 81ª DP (Itaipu), Flávio Loureiro, seria homossexual, foi encontrada com uma faca cravada no pescoço. Amigos de Tácio afirmam que ele estaria se relacionando com um rapaz de 19 pela internet há pelo menos 15 dias.
“Estamos trabalhando para identificar o rapaz que esteve com ele no dia. E tudo nos leva a crer que se trata de um crime passional”, avaliou Flávio Loureiro.
Amiga da vítima, a recreadora Gláucia Machado, de 42, contou que Tácio já havia se encontrado pessoalmente com o rapaz que conheceu pela internet. O encontro teria acontecido em Copacabana, no Rio, há cerca de uma semana. “Ele descrevia o rapaz como gentil e amoroso, mas o considerava uma pessoa ‘travada’. Dizia que o pai dele nem desconfiava da sua homossexualidade. Já havia alertado sobre o risco de se encontrar com alguém que não conhecia, mas ele não me escutou”, relatou.
Outro amigo, o encadernador Albino Ursulino, de 48, acredita que Tácio tenha sofrido emboscada.
“O tal rapaz disse que era estudante de Educação Física em uma universidade particular de Copacabana e o convidou para uma festa em Piratininga, que seria ponto de encontro para casais homossexuais. Garantiu que ele se divertiria e o convenceu. Ele era soropositivo desde 1997 e desde então vinha lutando para viver. Foi uma tragédia ter morrido assim”, lamentou.
Ainda segundo amigos, Tácio frequentaria um grupo de estudos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), para tratamento de soropositivos.
“Ele era uma pessoa gentil, inofensiva e que não tolerava promiscuidade”, avaliou Lorena Paes, que participava com Tácio do grupo de estudos.
Para o delegado, o principal objetivo agora é identificar o rapaz que Tácio conheceu pela internet. “Essa pessoa que ele veio a encontrar pode sim ser o principal suspeito”, declarou Flavio Loureiro.


O Fluminense

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Garotinho mistura política, religião e homofobia em eventos evangélicos

O pré-candidato ao governo do Estado do Rio pelo PR, Anthony Garotinho, vem percorrendo o estado em eventos evangélicos marcados por ataques aos adversários, discursos homofóbicos e pedidos de voto. É o que mostra reportagem de Cássio Bruno, publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO.

" Se Deus fizesse o homem para casar com homem, não seria Adão e Eva, teria feito Adão e Ivo "

"Se Deus fizesse o homem para casar com homem, não seria Adão e Eva, teria feito Adão e Ivo", canta o músico gospel Emanuel de Albertin, ao lado de Garotinho, na presença de cinco mil evangélicos durante culto em Belford Roxo, município pobre da Baixada Fluminense.

O evento, organizado pela Rádio Melodia, faz parte da chamada Caravana Palavra de Paz, realizada em cima de um caminhão, com direito a shows e pregações eleitoreiras, e que está percorrendo todo o estado.

A reportagem mostra que Garotinho não poupa críticas ao governador Sérgio Cabral, que disputará a reeleição pelo PMDB. Ele o acusa de acabar com projetos sociais de quando ocupava o cargo (entre 1999 e 2002), entre eles o Cheque Cidadão. Aos fiéis, o ex-governador refere-se a Cabral como "traidor" e pede "perdão" por tê-lo apoiado nas eleições de 2006.

" O Gabeira e o Sérgio Cabral são a favor (do casamento gay). O governador patrocina Parada Gay em Copacabana "

O deputado federal Fernando Gabeira (PV), outro pré-candidato ao governo do Rio, também não escapa das acusações. Falando sobre homossexualidade, Garotinho o ataca quando Emanuel de Albertin pergunta aos fiéis, aos políticos e aos pastores quem é a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo. Todos dizem ser contra. Garotinho emenda:

- Todos não. O Gabeira e o Sérgio Cabral são a favor. O governador patrocina Parada Gay em Copacabana.

Procuradora representará no TRE

A procuradora regional eleitoral do Estado do Rio, Silvana Batini, analisou as imagens e os áudios da Caravana Palavra de Paz registrados pelo GLOBO em Belford Roxo e Cabo Frio. Segundo ela, os eventos caracterizam campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico e de meios de comunicação.

Silvana entrará esta semana com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) contra o ex-governador.

Ex-governador afirma que caravanas não são para plataforma eleitoral

Garotinho nega, por sua vez, que a Caravana Palavra de Paz tenha plataforma política para beneficiá-lo nas eleições de outubro. O ex-governador diz estar sendo perseguido:

- Esse evento existe há vários anos. Os cantores podem falar o que quiser. Eu não pedi voto a ninguém. Nós apenas louvamos contra a prática do homossexualismo e não contra os homossexuais. É uma prática condenada pelas igrejas católicas e evangélicas. Em relação aos políticos, digo que todos os partidos são convidados, sem discriminação.

Garotinho tem dois programas diários nas rádios Melodia e Manchete. Os programas são retransmitidos para 60 rádios no estado. Neles, o pré-candidato distribui dinheiro para os ouvintes que acertarem perguntas relacionadas à Bíblia. Os valores chegam a R$ 500 por participante. O ex-governador atua ainda em cultos da Assembleia de Deus, que já teve a presença da mulher, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PMDB), e do pastor Manoel Ferreira, pré-candidato ao Senado pelo PR.

terça-feira, 23 de março de 2010

Exibição de gays na tv

"A nota revela que 57% dos entrevistados concordam com a exibição de gays na tv. Muito me intriga o uso do substantivo feminino exibição, que significa "apresentar ao público". Neste caso, fiquemos com a vitrine onde o gay é objeto de observação e análise, portanto, não componente da vida comum, mas sim, tratado como atração a ser consumida pela audiência. Não se trata de representar o mundo em sua diversidade natural, trata-se da exibição de gays, segundo a pesquisa entre os telespectadores. Acho que a resposta correta seria: "Olha, eu discordo de qualquer exibição de humanos no sentido de objeto exótico ou anomalia". Quantos por cento concordam com a exibição de paraplégicos na televisão? E gordos? E índios? E... negros. Cheguei onde eu queria chegar, na Venus de Hotentote. Nascida em 1789 na etnia Kosha da África do Sul, esta negra de nádegas gigantescas foi enjaulada e exibida como atração nos circos da Europa dos 1800. Qual a porcentagem de humanos que concordavam com esta exibição? É possível exibir qualquer tipo de humano para entretenimento? Não seria melhor usar nestas pesquisas questões tipo "Você acha importante tratar da questão homossexual nos programas de tv?" Porque, do contrário, a pergunta "É licito exibir gays assumidos na programação da tv aberta?" torna natural que se concorde que se pode exibir as pobres bichinhas em jaulas modernas (as telinhas), assim como a antiga Venus foi exibida. Não vejo grandes diferenças entre quem pagava o ingresso para admirar a coitada da Sartjie Baartman (nome da Venus) e estes que respondem sem questionar se concordam ou não com a exibição de gays na tv. Ainda estamos no grande circo. Sempre fomos considerados estranhos. É hora de ponderar sobre a sina do esqueleto desta Venus, que tanto sucesso fez diante da corte branca: depois de autópsia, os exibidores chegaram à maravilhosa conclusão que se tratava de uma mulher inteligente e de grande capacidade de memória, portanto, sim, ela tinha um coração. Os ossos desta alegoria da imcopreensão humana sobre nossa diversidade ficaram em exibição no Museu do Homem em Paris, até a década de 80 no século 20. Em 2002, os restos mortais da venus, a pedido do presidente Mandela, retornaram a sua tribo. Mais de 200 anos de exibição! E você aí, quantos por cento da sua inteligência concorda com a exibição de gays na tv?"


(um artigo de Milton Cunha no jornal O Dia, que pra minha surpresa achei bem interessante.)

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Finalmente, as teorias estruturalistas de linguagem situaram o sexismo nas próprias origens da cultura. Se as linguagem que as mulheres falam, na qual devem falar, é matizada no sexismo, um sexismo mais profundo que um léxico revisável, se a gramática da linguagem em si reflete o pensamento masculino, então nada que as mulheres possam dizer ou escrever na linguagem existente jamais poderá ser verdadeiramente feminista."
(in Teoria Feminista e as Filosofias do Homem, Andrea Nye)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Campanha Fora Dourado, Fora Homofobia!


por Del.

Coletânea de Textos e Vídeos. Agora temos que fazer nossa parte e denunciar da forma correta.

Falar só falar, não adianta nada.

Votar loucamente no site de uma emissora que manipula informações, infelizmente também não adianta.

A prova surgiu, agora é hora de denunciar da forma correta.

Os argumentos de muitos heteros que vem aqui no PL nos OFENDER porque percebemos a homofobia do Dourado se resumem a dizer que somos frustradas, que estamos com medo da Angélica perder e estamos inventando que ele é homofóbico e isso é exagero nosso, dentre outras pérolas da cegueira.

A questão é que o povo brasileiro gosta de “Anti-Heróis”, é só perceber o histórico das outras edições do programa, o que predomina são esses tipos que não se gosta a princípio e te conquistam aos poucos por equilibrarem qualidades e defeitos: Dhomini, Diego Alemão, Max, Rodrigo Caubói, Rafinha e etc…

Dourado, se não fosse sua homofobia e machismo exagerados, serviria perfeitamente neste perfil.

Aí o que aconteceu foi que o anti-herói perdeu o controle, só que já era tarde, o público, a grande massa, já tinha se apaixonado.

Então a emissora ficou sem saber o que fazer.

Temos uma figura amada pelas massas, uma lésbica que aparentemente deu “motivo” pra ser desgostada , como contrariar tudo isso? Se tudo isso é contrariado, os telespectadores tão fãs do anti-herói perdem seus motivos para ver o programa.

Então o que a emissora faz? Ela prefere omitir… Prefere mostrar edições aonde aparentemente nada disso aconteceu, aonde a lésbica realmente fez fofoca e o anti-herói, muito justo, muito nobre, se revolta com isso.

Na verdade, o que ela fez, foi o que QUALQUER participante já fez, compartilhou com os que julga amigo, coisas dos que julga inimigos. Anamara está fazendo isso desde o começo e ninguém falou nada. Lia faz o tempo todo. O próprio Dourado tem feito isso 90% do tempo, fofoquinha, mimimi, como ele mesmo diz e a coragem que ele grita tanto ter, ele não demonstra, pois quando frente a frente com a Angélica, ele simplesmente cala.

O grande público sem ver tudo isso nas edições do programa, aplaude.

Ele está bravo com toda razão, ela fez fofoca! Coisa nunca feita antes no BBB, coisa nunca feita antes por ele, que combinava votos loucamente no primeiro programa que participou e foi expulso com 68% de rejeição. As pessoas se esquecem rápido… E o pior não estão vendo a história toda.

Então, já que votar no site não adianta, já que bater boca com os defensores manipulados dele não adianta, o que precisamos fazer é denunciar para os orgãos políticos responsáveis o que está acontecendo.

E é isso que venho a pedir pra vocês. ESCREVAM para o ministério público. Denunciem.

Isso aqui não é sobre a permanência dos coloridos na casa, mas sim da luta para se tirar uma figura homofóbica de lá que está influenciando os jovens brasileiros, que ao verem o rapaz, malhadão, descolado, cara de mau e homofóbico, acham que é muito normal e bonito ser homofóbico.


Depoimento sobre a situação via comentário:

“Pelo amor de Deus. Façam alguma coisa. Ontem minha amiga travesti,estava em seu ponto tentando batalhar seu dinheiro,quando foi atingida por um caco de vidro que veio de um carro com 4 garotos. Um deles gritou bem alto: esquadrão dourado ataca novamente. Eu nao sou nada, não tenho amigos influentes e mal sei usar computador. Estou com mais medo do que o normal por conta desse bbb. Me ajudem.”

Links e vídeos sobre o caso:

Assine o abaixo assinado da campanha clicando aqui.

Aqui estão os links para o vídeo aonde ele diz que quebraria os dedos de Angélica, são todos para o mesmo vídeo, então se um estiver quebrado tente o outro. Nas versões mais longas assista a partir de 2:45.

O momento aonde cai a máscara e a homofobia se evidencia, aonde os BBB’s falam tranquilamente sobre boates gays e Marcelo perde o apetite e joga fora TODA sua comida:
http://www.youtube.com/watch?v=PRbSwpYgfOI

Vídeo de momentos homofóbicos:
http://www.youtube.com/watch?v=nByq3MtfSek

Dourado, o sincero, justo e honesto, ouvindo atrás da porta:
http://www.youtube.com/watch?v=Q6l-BmWFr80

Dourado sendo preso por posse de drogas:
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cidade/2005/12/17/jorcid20051217003.html

Dourado com nojo da Angélica, a emissora tenta demonstrar que não é por homofobia e dá um tiro no pé:
[ Clique aqui. ]


Textos sobre o tema:

  • De cara para lua. – Um dos grandes blogs de BBB que está vendo a injustiça sendo feita na casa.
  • O Mestre da Incoerência (Versão com links e vídeos aqui. )- Texto que aponta detalhe por detalhe do como Dourado é incoerente.
  • Opinião de Jean Wyllys – O vencedor do BBB explica a adoração do povo por Marcelo Dourado.
  • Mauricio Stycer – Crítico do UOL dando seu parecer sobre dourado.
  • Ricardo Calil – Crítico do Último Segundo
  • Fani Pacheco [2] – Blog da Ex-BBB na Contigo sobre o programa.
  • Mary W. – Um dos primeiros textos apontando a situação gritante que se formava.

Twitter: @paradalesbica

Denunciem:

Para o Ministério Público:
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/contact-info
ou por email pfdc@pgr.mpf.gov.br

Deborah Duprat
Vice-procuradora-geral da República

E-mail: Deborah@pgr.mpf.gov.br

Senador Cristovam Buarque
Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado

E-mail: buarquecristovam@gmail.com

Sites:
http://www.eticanatv.org.br/index.php?sec=3&cat=7&pg=3
http://www1.folha.uol.com.br/folha/enviesuanoticia/
http://falecomaredeglobo.globo.com/
http://www.abglt.org.br/port/index.php

Telefones:
61 3105-6001 (Ministério Público Federal)
400 22 884 (Fale com a Globo)

Obrigada Gabi por estes dados!

Obrigada a todas que passaram links.

Continuem postando, quanto mais informação e união, melhor!

FONTE:

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Comentário de "O Mito de Lilith, Adão e Eva"

Samarah Queen disse...

Quando analisamos profundamente a história bíblica, concluímos que foi escrita pelos fundadores da religião arcaica, conservadorista e patriarcal, que visava poder fazer melhores negócios através dos casamentos ao longo dos tempos. Tanto isto é uma verdade inegável que temos os registros da importância dos matrimônios entre os nobres, que provavelmente não aconteceriam se dependessem da vontade da mulher, caso esta fosse descendente de Lilith. As mulheres evíticas são dóceis não por opção, mas por terem sido podadas em suas raízes e moldadas de forma a se comportarem com obediencia, subserviencia e docilmente, na maior parte dos casos. Uma mulher fraca significa negócios fortes, comércio estável e alianças internacionais de todas as formas possíveis. Longe da mitologia bíblica podemos ver que a mulher Lilith está se levantando do sepulcro depois de 10.000 anos de perceptível dormência e torpez. Atualmente é esta a mulher que sustenta sozinha filhos e os próprios pais, com amor, soberania e dignidade. A mulher antes rebelde e expulsa do paraíso que fora associada ao demônio, agora ressurge entre o êxito e a eficiência de uma verdadeira filha de Deus. Amen.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Menstruação e Identidade Feminina

"A Lua Natal mostra a auto-imagem das mulheres. A menstruação está conectada com a auto-imagem porque marca porque o ciclo mensal deixa claramente marcadas as fases da vida de uma mulher, desde a menarca até a menopausa."
"Os homens não fazem uma entrada tão bem definida na condição masculina, mas para as mulheres a primeira menstruação ou a menarca é o rito de passagem para a condição feminina. Até que comece menstruar, a garotinha talvez não se identifique plenamente com a mulher adulta. O começo da menstruação é o primeiro limiar lunar importante e prepara o cenário para todos os outros que se seguem. Nossas experiências naquele momento crucial dão o colorido às percepções de feminilidade. A partir das reações dos adultos significativos, descobrimos se essa parte de nós é suja ou natural. Aprendemos se é uma coisa a positiva ser celebrada ou uma coisa vergonhosa a ser escondida. Costumes como o tapa na cara, entre os judeus, na primeira menstruação, comunicam mensagens do significado de ser mulher. Contraste-se o fato com as celebrações de um dia ou uma semana de duração, feitas para a primeira menstruação das meninas em muitas culturas nativas.
(Na falta de ritos de puberdade culturalmente sancionados, talvez a gravidez na adolescência tenha a intenção de ser parcialmente uma espécie de rito de passagem - como uma afirmação "no meio da cara" de que "agora eu sou uma mulher".)."
"Cada menstruação pode trazer para a mulher heterossexualmente ativa um momento de alívio ou desolação por não ter engravidado ainda. Muitas de nós tem medos e anseis primitivos quanto a nossa fertilidade, usando-a até certo ponto para decidir se somos ou não "mulheres de verdade". As mulheres que estão na menopausa ou sofreram uma histeroctomia muitas vezes têm sentimentos intensos em relação a essa mudança, inclusive o medo de que estejam perdendo a feminilidade. Nossa identidade feminina e senso de autovalorização estão ligados a essas funções, independentemente de nossas capacidades e realizações. Não importa quão liberadas ou instruídas sejamos, elas continuam a ter mistério e poder. São muitas intensas as emoções que temos em relação as panes do corpo que mais claramente nos define como mulheres - os seios e o útero.
Esses orgãos regidos pela Lua podem despertar sentimentos de inadequação, medo e vergonha. Os homens também reagem intensamente a eles."
(A Lua na Sua Vida - O Poder Mágico e as Influências sobre as Mulheres, Donna Cunningham)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Parteiras da consciência umas das outras


"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa e se sentiu sarada e integral por causa desta.
São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de se reter em palavras.
Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos de nossa experiência pessoal.
É por isso que precisamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino.
Servimos de parteiras às consciências umas das outras..."


(Jean Shinoda Bolen)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Na terra dos crentes, o diabo tem nome africano

“Houve, com o decorrer dos séculos, um sincretismo religioso, ou seja, uma mistura curiosa e diabólica de mitologia africana, indígena brasileira, espiritismo e cristianismo, que criou ou favoreceu o desenvolvimento de cultos fetichistas como a umbanda, a quimbanda e o candomblé”. (Orixás, Caboclos & Guias – deuses ou demônios ?, 15° edição, cap. 1, pág. 13).
No livro “Orixás, Caboclos e Guias – deuses ou demônios ?”, Edir Macedo expõe a sua visão, e a de muitos cristãos, sobre o que representam as religiões afro-brasileiras em nossa sociedade. Mas, engana-se quem pensa que foi Edir Macedo o primeiro a demonizar essas religiões. Diversos outros pregadores, protestantes e católicos, já travaram lutas contra as “forças das trevas”.

Os cristãos, e em especial os evangélicos, geralmente, reivindicam para si a exclusividade da “comunhão com Deus”, desconsiderando os ensinamentos das outras religiões e filosofias.

Atualmente, vemos pregadores evocando os orixás em cultos exorcistas como se estivessem evocando o próprio Satanás. Pessoas em transe psicótico embravejam dizeres que teriam como autores “entidades” como Exu, Oxossi, Olorun, etc... Milhões de pessoas ainda acreditam que as religiões afro-brasileiras são religiões “satânicas”, e que devem as suas precariedades e sofrimentos às suas origens africanas. No aurora do século XXI, assistimos ao recrudescimento do preconceito em relação a religiosidade africana. Isto é, um grande aumento, e com uma aversão que é desproporcional a capacidade de defesa dos praticantes afro-brasileiros.

A aversão às religiões de matriz afro extrapola as barreiras religiosas porque ela está impregnada do racismo contra as populações africanas. Esta aversão é o resultado dos mais de 300 anos de escravidão, e de um processo de aculturação que fez com que os brasileiros elaborassem seus princípios e valores tendo como modelo o que era mais aceito pelos antigos colonizadores europeus. Logo, para ser aceito era necessário se parecer com os europeus, viver como os europeus, e crer nos deuses europeus. Não podemos entender o sincretismo religioso como uma mera camuflagem. Mas, também, e principalmente, como uma tentativa de fuga de uma possível opressão perpetrada pela sociedade. É o medo da reprovação social que faz com que as pessoas se digam católicas “não-praticantes”.

Foi a instituição religiosa Igreja Católica Apostólica Romana quem primeiro demonizou as crenças nativas africanas. E, atualmente, são as igrejas pentecostais as que mais se dedicam ao combate às religiões afro. Existem religiões pentecostais que têm na completa eliminação dos cultos afro um ideal a ser seguido. Evidentemente, isto não é uma generalização, pois há cristãos evangélicos tolerantes e sem preconceito. Contudo, é inegável que para muitos evangélicos o “diabo” tem nome africano. O curioso é que nas religiões pentecostais há grande percentual de afro-descendentes (pardos e negros), o que revela que a aversão aos orixás também extrapola as barreiras de classificação “racial”.

Exú: de orixá mensageiro a diabo cristão.

Dentre os orixás mais incompreendidos está Exú (também conhecido como Legbá ou Elegbara entre outros nomes). Este orixá foi erroneamente associado ao diabo cristão ou Satanás. Tal equívoco foi fruto de uma incompreensão dos religiosos cristãos quando descobriram a religiosidade dos povos da África Ocidental.
"Comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um absurdo dentro da construção teológica yorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do Mal. Mesmo porque nesta religiãonão existem diabos e entidades carregadas únicas e exclusivamente por coisas ruins como fazem as religiões cristãs, estas pregam que tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso, pelo contrário, na mitologia yorubá, bem como no candomblé cada uma das entidades tem sua porção positiva e negativa, assim como nós mesmos."
(Fonte: Wikipédia)
Exu é o orixá mensageiro entre o orun (mundo espiritual) e o aiye (mundo material), e que era encarregado de levar as oferendas para os outros orixás, e trazer aos fiéis os recados deles. Esse poder foi traduzido mitológicamente no fato de Exú habitar as encruzilhadas, cemitérios, passagens, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas, e ser o senhor das porteiras, portas e saídas. Provocador, indecente, astucioso e sensual, Exú é considerado o mais humano dos orixás, pois seu caráter lembra o de um ser humano que de um modo geral é muito mutante em suas ações e atitudes.

FONTE/ADAPTAÇÃO: http://www.mortesubita.org/jack/cultos-afros/teoria/na-terra-dos-crentes-o-diabo-tem-nome-africano/view

A Rainha Ginga

Nzinga Mbandi Ngola, A Rainha Ginga
(1587-1663)

Indomável e inteligente soberana (1624-1663) do povo Ginga de Matamba e Angola e nascida em Cabassa, interior de Matamba, que altaneira e silenciosa conseguiu juntar vários povos na sua luta contra os invasores portugueses e resistiu até ao fim sem nunca ter sido capturada, tornando-se conhecida pela sua coragem e argúcia. Do grupo étnicoMbundu, era filha do rei dosmbundus no território Ndongo, hoje em Angola, e Matamba, Ngola Kiluanji, foi contemporânea de Zumbi dos Palmares (1655-1695), o grande herói afro-brasileiro, ambos pareceram compartilhar de um tempo e de um espaço comum de resistência: o quilombo. Enviada a Luanda pelo seu meio irmão e rei Ngola Mbandi, para negociar com os portugueses, foi recebida pelo governador geral e pediu a devolução de territórios em troca da sua conversão política ao cristianismo, recebendo o nome de D. Anna de Sousa. Depois os portugueses não respeitaram o tratado de paz, e criaram uma situação de desordem no reino de Ngola. A enérgica guerreira, diante da gravidade da situação e da hesitação de seu irmão manda envenená-lo, tomando o poder e o comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba. Não conseguindo a paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha de Matamba, renegou a fé católica, aliou-se aos guerreiros jagas de Oeste e fundou o modelo de resistência e de guerra que constituía o quilombo. Com sua política ardilosa, conseguiu formar uma poderosa coligação com os estados da Matamba, Ndongo, Congo, Kassanje, Dembos e Kissama, e comandou a resistência à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca de quarenta anos, usando táticas de guerrilhas e de ataques aos fortes coloniais portugueses, incluindo pagamentos com escravos e trocas de reféns. Após a assinatura de um tratado (1656) com o governador geral, que incluiu a libertação de sua irmã Cambu, então convertida como Dona Bárbara e retida em Luanda por cerca de dez anos pelos portugueses, e sua renúncia aos territórios de Ngola, uma paz relativa voltou ao reino de Matamba até a sua morte, aos 82 anos, sendo sucedida por Cambu, continuadora da memória de sua irmã, mas já estava em curso o declínio da Coligação. Dois anos mais tarde, o Rei do Congo empenhou todas as suas forças para retomar a Ilha de Luanda, ocupada por Correia de Sá, saindo derrotado e perdendo a independência, e no início da década seguinte o Reino do Ndongo foi submetido à Coroa Portuguesa (1771). A rainha quilombola de Matamba e Angola tornou-se mítica e foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja memória desafiou tempo, dando origem a um imaginário cultural que invadiu o folclore brasileiro com o nome de Ginga, despertou o interesse dos iluministas como no romance Zingha, reine d’Angleterre Histoire africaine (1769), do escritor francês de Toulouse, Jean-Louis Castilhon, inspirado nos seus feitos, e foi citada no livro L'Histoire de l'Afrique, da publicação Histoire Universelle (1765-1766). Ainda hoje é reverenciada como exemplo de heroína angolana pelos modernos movimentos nacionalistas de Angola. Sua vida tem despertado um crescente interesse dos historiadores, antropólogos e outros estudiosos do período do tráfico de escravos. Sua resistência à ocupação dos portugueses do território angolano e o conseqüente tráfico de escravos, tem sido motivo de intensos estudos para a compreensão de seu momento histórico, caracterizado por sua habilidade política e espírito de liderança desta rainha africana na defesa de sua nação.
Fonte: dec.ufcg.edu.br/biografias/Ginga000.html