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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Homens Trans - Transformações Corporais

No outro post sobre transexualidade masculina, surgiram perguntas sobre o "processo de transformação" FTM (Female to Male), achei um texto muito interessante no blog "Sou transhomem... e daí?" e resolvi postar. Aí vai:

Os transhomens querem ser reconhecidos como pertencentes ao gênero masculino. Para tanto, precisam recorrer a diversas transformações para ter este reconhecimento. Uma delas é a transformação vestimentária, ou seja, se vestir como os outros homens (ou como a sociedade ACHA que os homens devem se vestir!).

Outras transformações neste processo são o uso de hormônios masculinos e as chamadas "cirurgias de mudança de sexo". Estas cirurgias também são chamadas de cirurgia redesignação sexual (CRS), cirurgia de transgenitalização, cirurgia de redesignação de gênero, cirurgia de reconstrução sexua lou genital e, ainda, de cirurgia de confirmação de gênero. Seja lá o nome que dão a essas cirurgias, muitos transhomens têm o desejo de se submeter a elas, se não a todas, pelos algumas, como a mastectomia, que é a retirada dos seios.

No Brasil, este processo de mudança de gênero é chamado de "processo transgenitalizador" e é regulado pela portaria 1707 de 18 de agosto de 2008. Isso significa que todo o transexual deve passar por uma avaliação médica, psiquiátrica e psicológica para ser "diagnosticado" como um transexual e iniciar o "tratamento"! Isto porque a transexualidade é entendida pela classe médica como uma doença que precisa de tratamento, tendo em vista que a transexualidade foi incluída no Diagnostic and Statistical Manual of Disorders III ( DSM ) (Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais), em 1987, como uma doença mental, e em 2001, a "doença" chamada "transexualismo" passou a ser chamada de "Transtorno de Identidade de Gênero" (DSM IV). Além disso, a transexualidade também aparece como uma doença no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As questões que se colocam são: por que ainda hoje os transexuais são considerados doentes? Por que não podem dispor de seu próprio corpo como bem entendem? Qual a dificuldade em aceitar todas as transversalidades de gênero? Neste sentido, é bom lembrar que existe uma importante campanha internacional chamada Stop Trans Pathologization-2012 que exige a retirada da transexualidade do DSM e do CID na sua proxima revisão, que acontecerá em 2012.

De qualquer modo, apresentamos algumas possibilidades de transformações corporais para os transhomens, mesmo que tenham de se submeter às exigências médicas!!!

Transformações Corporais

Coletes compressores

Os coletes compressores ajudam a esconder os seios, comprimindo-os e escondendo as suas curvas sob a roupa.

Hormonios

As modificações corporais do transexual masculino também podem ser efetivadas através do uso de hormônios. Neste caso, o hormônio indicado é a testosterona. As formas de administração são injeções, gel, pílulas e implantes sobre a pele, sendo a adminstração injetável a mais comum. A testosterona altera a voz, que deve ficar mais grave, há maior produção de pelos élo corpo, o clitóris aumenta entre três a quatro centímetros, a menstruação cessa, há um aumento da libido, o metabolismo se acelera; a pele fica mais áspera, a distribuição da gordura pelo corpo se torna mais uniforme, se concentrando mais na região do abdômem, e há aumento de massa muscular.

Mastectomia

Na remoção ou redução dos seios (também chamada de mamoplastia redutora) é feita uma incisão ao redor do mamilo ou abaixo do seio e remove a maioria dos tecidos e gordura sob a pele. A retirada dos seios é freqüentemente o único procedimento que os transhomens se submetem.

Histerectomia

Histerectomia é a cirurgia realizada para remover o útero. Nesta mesma cirurgia podem ser retirados os ovários e as trompas (ooforectomia).

Ooferectomia

Ooforectomia é a cirurgia para retirada dos ovários.

Faloplastia

Faloplastia ou neofaloplastia envolve a construção de um pênis a partir da pele do antebraço interno (lado não dominante) e tecido vaginal e anexá-lo à área vaginal.

Metoidioplastia

É uma alternativa à faloplatia para transhomens. Com os efeitos da tomada de hormônios masculinos, como a testosterona, o clitóris cresce com o tempo até atingir um tamanho médio de 4-5 cm. Em uma metoidioplastia o clítoris já grande é "solto" de sua posição original e movido à frente para uma posição que lembra mais a de um pênis.

Próteses

As próteses penianas também fazem parte das transformações corporais dos transhomens, seja para "fazer volume", seja para usar como um acessório nas relações sexuais.Tem um link que ensina você a fazer uma prótese em casa! Eis o link do "Dj. Knows Dick": djknowsdicks.com/freebie.html

Pra quem quer ler mais sobre o assunto, segue o link do blog:
http://soutranshomemedai.webnode.com/

E um outro tambem muito bom:
http://transhomembrasil.blogspot.com/

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Homens Trans

Homem em obras

Neste mês em que o Conselho Federal de Medicina liberou as cirurgias de extirpação de útero, ovários e seios, dois transexuais concordam em dar as caras e sair à luz do dia

Leticia Moreira/Folhapress

"Sou um homem que nasceu com defeito no órgão genital", define João Vitor Gonçalves dos Santos, 25. O "defeito", segundo ele, é ter vindo ao mundo com vagina, útero e ovários -por isso, recebeu o nome de Josiane. Na adolescência, como acontece com qualquer menina, cresceram-lhe também os seios.
Agora, o rapaz terá mais chances de "corrigir" o corpo que tem, e que nunca aceitou. Desde o início de setembro, transexuais como ele já podem extirpar -em hospitais públicos ou privados- útero, ovários e mamas.
Também podem se submeter a tratamentos hormonais que estimulam o surgimento de caracteres masculinos, como a voz grossa e barba.
Antes, os procedimentos eram considerados "experimentais" e só eram feitos nos poucos hospitais que se submetem aos restritivos protocolos da pesquisa científica.
Segundo a nova resolução do Conselho Federal de Medicina, ainda se considera "experimental" a cirurgia chamada "neofaloplastia", que consiste em criar um pênis a partir de pele retirada de outras partes do corpo.
Mas já é um avanço imenso. "Depois que eu retirar os peitos, poderei vestir camiseta sem manga, em vez de viver me escondendo por baixo de camadas e mais camadas de camisas e casacos", diz João Vitor, vozeirão de homem muito macho.
O depoimento dele e mostra que outro tipo de sexualidade resolveu sair do armário da clandestinidade no Brasil.
Porque, se gays, lésbicas e robertas close já viraram arroz de festa, transexuais masculinos (que nasceram mulheres) pareciam quase uma quimera. Não são.


Depoimento de João Vitor Gonçalves dos Santos, 25, nascido Josiane. Profissão: chapeiro em uma lanchonete. Vive em Tramandaí, a 120 km de Porto Alegre:

"Desde criança, eu sempre me senti homem. Vestia vestidos e coisas femininas por imposição familiar, mas odiava. A partir dos 12 anos, começou a minha virada. Com 15, me assumi. Contei pra todo mundo que gostava de mulher e cortei os cabelos. Bem curtinhos.
Meu pai é pedreiro, a mãe é do lar. Tenho duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo. Na família, não tem nenhum caso como eu.
Na escola, eu era muito solitário. O pessoal sempre me excluía dos trabalhos em equipe porque eu era diferente. Até que a diretora da escola percebeu a situação e colocou minha irmã na mesma turma, para que a gente fizesse os trabalhos juntos.
Com 19 anos, me apaixonei por uma menina e comecei a namorar.
Sempre gostei de ser o máximo de homem possível. Eu não gosto de ser chamado de lésbica. Sinto-me totalmente homem -como um homem que nasceu com um defeito nos órgãos genitais, só isso.
Penso como um homem. O homem assume a família -toda a autoridade e a responsabilidade pela casa são do homem. Eu sou assim. É meio ultrapassado isso, mas é assim que é. Independência financeira, trabalhar, sustentar os filhos, são coisas de homem com as quais me identifico.
Até mesmo quanto à preferência por objetos e esportes, me sinto homem. Mulher em geral não gosta de futebol. Gosta de moda, de glamour, vaidade excessiva. Sempre gostei de futebol, de carros. Sou Colorado.
Eu gosto de estar bem vestido, mas como homem. Estou sempre com os cabelos bem cortados, bem aparados. Sempre limpo e asseado. Eu me policio bastante por essa forma de pensar -sei que é um jeito machista de ver as coisas. Mas eu aprendi a pensar desse jeito com meu pai e com meus primos.
Desde criança, eu sempre tive nojo de ter o órgão sexual que tenho. Mas eu não sabia que era possível mudar isso. Não sabia das cirurgias. Quando eu soube, quis.
Meu corpo era normal. Eu ficava menstruad... tinha funções normais. O formato do meu corpo nunca foi lá muito feminino, porque desde cedo eu jogava bola, fazia muito esporte. Meu corpo sempre foi muito forte.
Com 22 anos, procurei o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, que é um hospital público, e comecei a fazer um tratamento hormonal e psiquiátrico, além de consultar urologistas.
Voz, pelos, músculos -tudo mudou depois do início do tratamento hormonal.
Minha primeira namorada achava que o caso comigo era um caso entre duas mulheres. Quando resolvi mudar de sexo, tive de enfrentar a situação sozinho.
Foi uma felicidade encontrar tantas pessoas como eu. Antes de saber que era possível, eu era uma pessoa depressiva. Ficar a vida inteira com aquele corpo era um terror para mim.
Vi que eu estava no caminho certo. Era incrível. Clareou a minha vida. Deu uma outra motivação.
Ainda não fiz nenhuma operação. Estava aguardando a autorização. Ainda tenho peitos, vagina. Não fico mais menstruad... -parou quando comecei o tratamento hormonal. Minha vida sexual já melhorou demais. Agora sou mais confiante.
Não tenho dúvida nenhuma de que quero tirar peito, ovário e útero,
No trabalho, no início, só quem sabia da minha condição era o meu chefe. Porque eu tenho vergonha e queria evitar piadinhas de mau gosto. Mas depois, a notícia se espalhou. Mesmo assim, o pessoal me respeita.
É que não há como dizer que eu seja uma mulher. As pessoas não acham nem traço de feminilidade em mim. Então não há como me tratar com preconceito. O preconceito deixou de existir.
Muitas lésbicas me criticam porque acham que eu não me assumo; outras me veem como concorrente. Mas eu me sinto como um homem heterossexual. Prefiro mulheres e femininas. Sou extremamente hétero nessa parte.
Os médicos não têm comprensão do sofrimento de gente como eu. Agora, chega o verão, o pessoal quer mostrar o corpo. E eu, que vivo a poucas quadras da praia, tenho de me esconder. É o meu período de hibernação. Tenho de colocar três ou quatro camisetas para esconder o volume dos seios. O verão é a pior estação para mim."

Frases

"Sempre tive nojo desse órgão sexual, quero tirar tudo"

"Eu não gosto de ser chamado de lésbica. Sinto-me totalmente homem -como um homem que nasceu com um defeito nos órgãos genitais, só isso"

"Agora, chega o verão, o pessoal quer mostrar o corpo. Eu, que vivo a poucas quadras da praia, tenho de me esconder. É o meu período de hibernação"
Mudança de sexo pode levar mais de dois anos
O procedimento até a cirurgia de redesignação sexual é longo, e obedece os critérios estabelecidos pelo CFM (Conselho Federal de Medicina).
O interessado em se submeter à mudança deve ser maior de 21 anos e precisa ter sido diagnosticado como transexual por uma equipe de psicólogos e psiquiatras.
Insatisfação duradoura com o próprio sexo e o desejo expresso de eliminar os genitais são questões avaliadas pela equipe por, pelo menos, dois anos.
Então o tratamento hormonal -testosterona no caso das mulheres- tem início e, em meses produz os primeiros efeitos: crescimento da barba, engrossamento da voz e aumento do tamanho do clitóris.
Se quiser, o paciente pode ainda se submeter à mastectomia (retirada das mamas) e realizar operações para eliminar útero, trompas, ovário e vagina.
Mas para o urologista Carlos Cury, especialista em cirurgias de transgenitalização, boa parte já se satisfaz em retirar os seios:
"Isso já causa um impacto emocional, esses pacientes têm uma necessidade muito grande de se mostrar como homens."
A neofaloplastia (realizada pelo alongamento do clitóris ou da construção de um pênis na musculatura do antebraço da pessoa) é experimental.
A Organização Mundial da Saúde considera a transexualidade um distúrbio, e é essa caracterização que facilita o acesso à cirurgia, lembra Alexandre Saadeh, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
"O SUS só paga a cirurgia porque esse fenômeno é considerado um transtorno. Se não fosse, essas operações seriam tidas como meramente estéticas."
FONTE: http://sergyovitro.blogspot.com/2010/09/homem-em-obras.html?spref=tw